Jornada à Maravilhosa Terra Xinguana

15/07/2009

Quando, numa grande curva do rio, deixou-se vislumbrar a belíssima imagem de um enorme jatobeiro (Hymenea stilbocarpa) senti-me como se não tivesse deixado aquele belíssimo lugar há dois anos. Sua presença imponente, com uma copa bem formada, perfeitamente simétrica, denunciando ter crescido em meio à mata fechada, denunciava também que fora, senão esquecido, pelo menos "guardado" para futura exploração e que isso, por algum abençoado motivo, não se efetivou.


O Jatobeiro!





A realidade denunciava que estava, então, no Rio Kuluene, afluente, que a partir de seu majestoso encontro com o Rio Sete de Setembro, forma o glorioso Rio Xingu. De fácil navegação neste trecho, estes rios oferecem maravilhosas pescarias a quem os visita, de sorte a propiciar a pesca de espécies variadas, fazendo o gosto de todos.







O rio que vem da esquerda é o Sete de Setembro e o que vem da direita é o Kuluene. Desde o ponto em que se encontram, nasce o glorioso Rio Xingu.



Aqui se pode ver uma ilha de areia e algo de vegetação. Esta ilha que aqui se pode ver, é a mesma que podemos ver desde o avião na foto anterior.



Outra vez, o nascimento do Rio Xingu





Partimos em uma jornada conjunta de amigos, quase todos advindos da participação em fóruns de pesca, o que vem mais uma vez comprovar que esta atividade foreira vem trazendo enormes benefícios ao povo que gosta de pescar. Embora houvesse gente nova, parecia que já nos conhecíamos há anos, de forma que esta jornada, além de prazerosa pescaria, trouxe-nos ainda um convívio de maravilha.


A Pesca


Meu convidado para companheiro de barco foi Paulo Grassmann, sujeito nota mil, que teve de suportar dividir o barco com este servidor. Todavia, creio não haver desapontado, vez que afinados no gosto pelo mesmo tipo de pesca, acabamos pescando exatamente da forma que mais gostamos. Com isso, delegamos a pesca com iscas naturais para segundo plano, dando total preferência pelas artificiais, na busca de tucunarés, bicudas e cachorras, muito embora alguns outros peixes menos aficionados a este tipo de isca também viessem a se fazer presentes. Os tucunarés do lugar não são de crescer muito, mas sempre proporcionam alegria a quem lhes dedica algum tempo.



 










 




 





Ao mesmo tempo, entram bicudas e cachorras.


 


Bel e uma bela cachorra



 


Meu sobrino Mario Junior com uma cachorra olho-de-boi





Por força de um trabalho que ali fui desenvolver, acabamos dedicando apenas um dia à pesca com iscas naturais, quando então, foi possível capturar peixes como a matrinxã, a cachara e a corvina, além de uma ou outra piranha. Pela mesma razão fizemos uma única jornada de pesca noturna, que rendeu apenas um pequeno jaú e uma raia muito bonita.


As matrinxãs se fizeram muito presentes na pesca com isca natural




 



Pirahas também



Em nosso barco as cacharas foram muito comedidas






Nossa jornada, muito embora tenha rendido bons peixes acabou não atendendo totalmente às nossas expectativas, pois o número de peixes capturados caiu bastante em relação às outras jornadas em que lá estive.


Mesmo para quem dedicou-se a pescar com iscas naturais, percebi uma queda na quantidade de peixes, mas mesmo assim, vários foram os peixes de bom tamanho capturados, fazendo a alegria do pessoal.


Fabio e seu grande cachara. Um grande troféu, sem dúvida!


De mesma maneira, Bel e Serginho andaram fazendo a festa com os de couro, mas não tenho fotos. Todavia, isso não falta lá no relato de nossa querida primeira dama.


Tínhamos programado uma jornada à Aldeia Uaurá, que acabou não se efetivando por conta de alguns indesejáveis e inesperados desencontros, fazendo com que isso fosse delegado para uma próxima oportunidade, para a qual já se empenha diligentemente meu grande amigo Atá, do Rancho Xingu e que deve realizar-se muito proximamente


Impressões sobre o local


Se por um lado a parte alta da região xinguana vem se apresentar muito parecida com algumas outras regiões do grande bioma amazônico, é por outro lado, uma célula inigualável quando percebemos algumas curiosidades dali muito peculiares, de sorte a tornar-se algo incomparável e de enorme significado.


Incomparável, porque é a área de ligação entre o mundo do branco e o mundo do índio, pois a parte alta do Xingu está justamente onde começa a área demarcada do Parque Indígena do Xingu, onde foram instaladas catorze etnias advindas de outras áreas e ali congregadas em uma grande comunidade indígena, através do trabalho de muita gente séria e dedicada aos índios, dentre eles os irmãos Villlas Boas, verdadeiros expoentes da saga xinguana.


Incomparável também, porque é também uma área que divide, que demarca muito bem, a parte preservada da parte totalmente, ou quase totalmente degradada pela ação do homem, de sorte que por ali vemos alguns extremos, onde existem enormes áreas de matas, confrontando com áreas ainda maiores totalmente desmatadas, denunciando que a devastação correu solta a ponto de tornar alguns trechos praticamente desertos.


Algo muito bom de perceber é que Atá não desmatou, deixando suas terras praticamente da forma em que foram encontradas. Dentro de sua área há mata alta, há belíssimos buritizais e há a importante savana xinguana, de beleza incomparável. Tudo intocado! O rio em suas terras não só tem mata ciliar como também muito além desta pequena faixa beira-rio, denunciando que o proprietário é um preservador. Em nosso vôo para a pousada, mostrou-me que a parte que confronta com a área do Parque Indígena do Xingu mescla-se àquela, tamanha a preservação, de sorte a confundir-se uma com a outra, propiciando gosto ao observador mais atento a este tipo de coisa.


Nesta foto, o início das terras dos índios que têm uma area de quase 30.000 Km2. Em primeiro plano, quase sob o avião, as terras do amigo Atá, muito preservadas igual às dos indios. Tremendo, isso!



 


Os bichos do lugar

Ainda que hajam muitos problemas de preservação, é possível avistar bichos dos mais distintos pelas margens, de sorte que alguma que otra boa foto é possível sacar.


Aqui, uma anta (Tapirus terrestris) que atravessava o rio Kuluene. Muito rápida, quase escapa da foto.


Um bando de quero-queros (Vanellus chilensis). Parece que ali havia uma conveção delas...


As capivaras (Hydrochoerus hydrochoeris) são muito comuns nas margens, mas nem sempre tão facilmente fotografáveis


Espero ter identificado corretamente esta gaivotinha (Sterna superciliaris), que é das menores do mundo


Uma sorte tivemos enviada dos céus, que foi poder ver e fotografar esta ave, a Harpia (Harpia harpyja), a mais grande das aves de rapina da América do Sul. Atualmente é raríssima sua aparição e certamente que demos muita sorte com isso!


Um jacutinga (Pipile jacutinga) que pareceu querer posar para as fotos e só saiu voando quando chegamos cerca de dois metros dele.


Jacarés. Esta espécie chamada de jacaretinga Caimam crocodylus é bastante comum por lá, mas durante o dia quase não se deixam ver. Capturamos alguns para fazer fotos e acabou sendo muito legal.


 









Nem tudo é alegria

Todavia, nem tudo é alegria! A região já começa a afetar-se pela ação danosa de uma represa no Rio Kuluene, de sorte que para os próximos anos teremos por ali, significativas mudanças, tanto para bem, quanto para mal. Se por um lado demonstra-se necessário e inevitável o barramento, por outro demonstra-se desastroso pela forma apressada como a que foi implantado.


Segundo apurei no local, o represamento denominado Represa de Paranatinga fechou suas comportas no início deste ano. Com isso, nesta última cheia já não houve a vazão do Rio Kuluene para a mata. De início, não se pode perceber o grau de prejuízo que isso pode conter, mas certamente o tempo se encarregará de demonstrar. Talvez a pesca em si, nem venha a ser afetada, pois as espécies sobem os rios, podendo continuar a vir do rio principal, ainda intocado, muito embora já haja planos de represamentos, também, de seu caudal.


Pior que isso é que estando represado, o Rio Kuluene, de grande caudal, principal formador do Rio Xingu, por certo haverá de modificar a rotina do rio principal, que atravessa todo o parque indígena, levando consigo todos os males que podem decorrer do barramento. A esperar, então, que o desastre não se estabeleça e que de alguma maneira o barramento possa ser compensado de forma a deixar a vida xinguana transcorrer em sua pacífica existência cujas manifestações de beleza possam seguir assim, encantando-nos, de sorte a fazer que para lá retornemos com alegria no coração e que de lá saiamos com a mesma alegria somada ao engrandecimento de espírito que a pesca nos proporciona.


Como se não bastasse este tipo de problema, some-se o desflorestamento. Nesta foto, percebe-se apenas mata ciliar em torno do Rio Sete de Setembro. O resto é área degradada e áreas de plantio ou pasto.


Agradecimentos


Mais uma vez agradeço ao grande amigo Atá, que muito nos ajudou num projeto que estamos tocando, deixando-o ciente de que resultando bem, é um dos que mais contribuíram para sua concretização. De mesma forma agradeço a Renê Uchoas e Davi pelo empenho em nosso projeto. A jornada também não teria sido a mesma se não estivesse presente meu irmão e guru, Mario, além de meu sobrinho Junior e meus sobrinhos adotados, Fabio e Paulo. Além disso, a especialíssima gente que nos acompanhou tornou tudo muito prazeroso e agradável de sorte a tornar inesquecível mais esta jornada ao Xingu. Muito obrigado então, aos amigos Oscar, André, Denise, Manoel Dias, Big Marcio, Emsalem, Ronaldo, Thiago, Thiago "Gigante", Xincha, Halieuta, Luis Alberto, Leo, Luis Orlando, Diniz "Largo", Bel, Serginho, e Kojak.


A ver quando poderemos novamente reunir gente tão especial!


Um caboclo que teve participação decisiva na jornada, foi Adeilson "Quati", nosso piloteiro. Caboclo calmo, dos bons, com ótima capacidade de perceber e atender às intenções dos pescadores. Quem for para lá, não deixe de tentar pescar com este cara!


Gravo aqui, um agradecimento especial ao nosso parceiro João Callas, da Ballyhoo, que não só apoiou a jornada como também o projeto que estamos tocando. Muito obrigado, Grande João Callas

 
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